Elias Alves
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Se você não se considera capaz de produzir uma boa redação, não pense que nunca precisará aprender a redigir. Qualquer que seja a sua profissão ou a que pretende escolher, haverá momentos em que você precisará produzir um texto de bom nível - correto, objetivo, claro, com o emprego de palavras adequadas de acordo com o contexto, o momento e a pessoa ou as pessoas a quem você se dirigirá.

Não é necessário conhecer todas aquelas regras complicadas que costumam ensinar em escolas e por meio de livros didáticos. Leia os artigos deste site e, se tiver dúvidas, faça perguntas. Terei prazer em respondê-las e ser-lhe útil da melhor forma possível.
Desde já, obrigado por prestigiar o "'Dicas' Fáceis para Redação".

Elias Alves.
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A vontade de aprender é importante como primeiro passo, mas somente a determinação e a persistência facilitam a chegada ao que se quer ou se precisa aprender.
- Elias Alves
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quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Semântica Linguística

Para produzir uma boa redação,
você não precisa conhecer semântica profundamente,
mas precisa ter noções de semântica linguística.

Para escrever uma redação de bom nível, é preciso em primeiro lugar definir o objetivo da redação, a categoria do leitor ou de leitores à qual ela será dirigida e, obviamente, o tema ou assunto principal. É por isto que a língua portuguesa, como muitas outras, tem várias palavras com mesmo significado e, em vários casos, diversos significados para uma mesma palavra (veja "Linguagem Figurada" ou "Sentido Figurado", neste blogue). O objetivo disto é permitir a diversificação do uso de palavras num mesmo texto, evitando a repetição excessivo da mesma palavra. 
Isto não quer dizer, no entanto, que se pode escolher qualquer palavra para substituir outra de significado idêntico. É necessário escolher as palavras mais adequadas para a finalidade da redação e a categoria de leitores a que ela será destinada. Deve-se ter o cuidado de não usar palavras excessivamente formais nem excessivamente informais. Por isto é preciso que se tenha algumas noções de semântica linguística. 
"Semântica" provém de "sëmantikós", uma derivação de outra apalavra grega, "sema", que significa "sinal". Portanto, a semântica linguística é o estudo dos sinais das linguagens, expressos por escrito ou por meio da fala. Atualmente utiliza-se semântica linguística em linguagens de programação de computadores, lógica formal e semiótica. 
Na programação de computadores, a semântica ajuda a elaborar métodos padronizados para o envio de instruções a um computador. Esses métodos, por sua vez, ajudam a especificar da melhor forma possível os dados sobre os quais o computador deverá atuar. 
A lógica é um ramo da filosofia pelo qual é estudado o raciocínio válido. Portanto a lógica formal é um método de avaliação do sentido do raciocínio através de argumentações. Em linguística, é a análise argumentativa dos significados das palavras, termos e expressões. 
A semiótica é a combinação de estudos dos signos e da semiose. Os signos são símbolos que representam os significados propriamente ditos das palavras ou expressões, ou aqueles que queremos dar a elas, mas que são diferentes dos significados originais (ver "Linguagem Figurada" e "Sentido Figurado"). Em resumo: a semiótica, em linguística, é o processo pelo qual os símbolos são concebidos.
através da linguagem.
Não confunda "semântica" com "sintaxe". A semântica se refere aos significados das palavras, dos termos e das expressões. A sintaxe é o estudo das estruturas das palavras e dos significados que queremos que elas tenham através da forma como as incluímos no contexto da redação. 

Fontes: 
  • Dicionário Aurélio Buarque de Holanda
  • Novo Manual de Língua Portuguesa, de Celso Pedro Luft

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Uso Adequado de Travessões e Parênteses

Muitas pessoas
costumam confundir 
o travessão com o hífen
ou 
pensam que ambos 
são a mesma coisa,
mas isto é um equívoco. 

Nas provas de língua portuguesa em vestibulares e concursos públicos, verifica-se com muita frequência que muitos participantes confundem o travessão com  o hífen e vice-versa. Há também os que afirmam que "travessão" (-) e "hífen" (-) são a mesma coisa. Embora em digitação o sinal seja o mesmo, cada um deles tem funções específicas. 
Também conhecido como "traço de união", o hífen é utilizado para anexar pronomes encíclicos e indicar relações, extensões, encadeamentos entre duas palavras formando uma, etc. Exemplos: "tira-teima", "quebra-cabeças", "roda-d'água", etc. Havia outros casos em que o mesmo vinha sendo empregado, mas houve alugmas mudanças quanto a isto de acordo com as novas regras ortográficas (*).
O travessão é - e continuará sendo, mesmo dentro das novas regras - usado para ligar palavras que formam encadeamentos entre dois pontos distantes ou coisas relacionadas entre si de alguma forma. Exemplos: "Rio-São Paulo", "Brasil-Argentina", "Vitória-Rio". Atente para o fato de que neste parágrafo foram utilizados dois travessões, neste caso substituindo parênteses. Eu poderia ter escrito também "O travessão é (e continuará sendo)..." ou "O travessão é, e continuará sendo, usado...". 
O travessão também pode ser utilizado para significar uma ação rápida. Exemplo: "Eu a vi - ela desapareceu." Este recurso serve para informar de forma mais breve o que eu poderia dizer da seguinte forma: "Logo depois que a vi, ela desapareceu."
Além disso, o travessão é um excelente recurso para dar ênfase a uma ideia ou pensamento. Exemplo: "A lua - linda como sempre - parecia se esconder por trás das montanhas." Neste exemplo, também poderia ser utilizadas vírgulas no lugar dos travessões. 
Os parênteses - ( ) - são utilizados principalmente para destacar expressões ou frases intercaladas. Exemplo: "Eu gostaria de ir, mas (digo-o sinceramente) não estou disposto." Na maioria dos casos, os parênteses tem as mesmas funções dos dois travessões tais como nos exemplos em que os sitei. Na verdade, numa mesma redação, usam-se às vezes os dois travessões, outras vezes os parênteses, apenas para evitar repetitividade excessiva de um dos dois recursos. 
  
(*) Procure neste blogue o artigo sobre as novas regras ortográficas.

Fonte: "Novo Manual de Português", de Celso Pedro Luft - Editora Globo. 

domingo, 15 de abril de 2012

Metáforas, Linguagem Figurada e Sentido Figurado

Muitas pessoas 
costumam confundir 
cada uma dessas três coisas 
com as outras duas. 
Porém, 
existem diferenças muito importantes.

No artigo anterior, lembrei que ao dizer que a Bíblia "fala" por metáforas, já está usando uma metáfora. Muita gente interpreta isto como "sentido figurado" ou "linguagem figurada". Porém, para a produção de uma redação de bom nível na qual o autor possa ou pretenda utilizar tais recursos, é necessário considerar a importância das diferenças entre as três coisas.
No caso das metáforas, é preciso, em primeiro lugar, verificar se seu uso é adequado para o tipo de redação que se queira produzir. Em caso de dúvida quanto a isto, é melhor evitá-las. A metáfora precisa estar de acordo com a necessidade da ênfase à ideia que ela representará, e tem que ser empregada com absoluta clareza e objetividade. Não pode ser fora do comum nem ser desenvolvida demais. Além disto, é preciso ter o cuidado de evitar, dentro de um mesmo pensamento, o uso de duas ou mais metáforas que, para o leitor, possam parecer contraditórias. Também deve-se observar que a metáfora não pode coincidir com uma parte do texto, considerando um ou alguns parágrafos; precisa estar de acordo com toda a ideia contida na redação.
Os melhores exemplos de metáforas são aqueles que usamos na nossa própria maneira cotidiana de falar. Geralmente elas representam comparações. Exemplos: 
- Aquela lagoa tem uma água cristalina.  
A metáfora indica que a água é muito limpa, transparente como um cristal.

- Para mim, isto está claro como a luz do dia.
No primeiro exemplo, a metáfora é apenas uma palavra:"cristalina". No segundo caso,  é toda a expressão "claro como a luz do dia", dizendo que isto (um plano, uma intenção, etc.) está bem nítido. 

Já estamos todos muito familiarizados com as metáforas que usamos na linguagem corrente, e por isto é fácil observá-las como exemplos. Numa redação, porém, é preciso lembrar que há casos em que as metáforas já muito utilizadas na literatura banalizam o texto, contribuindo para a perda do valor de seu conteúdo. É o caso, por exemplo, de "manto negro da noite", "na calada da noite", "tinha a força de mil cavalos", "víbora" ou "cobra venenosa" (pessoa má, traiçoeira), etc. 

Sentido Figurado e Linguagem Figurada

"Linguagem figurada" é a utilização de uma palavra ou uma expressão dando à mesma um significado secundário além do significado habitual. Nós a utilizamos muito na nossa linguagem diária, e na maioria das vezes nem percebemos isto. É um recurso que torna a linguagem oral ou escrita mais clara, mais expressiva. 
A linguagem figurada é também conhecida como "tropo". A "figura" - isto é, o sentido que se quer dar - tanto pode ser formada pelo uso de uma palavra como pelo de várias palavras que formam um pensamento completo. A diferença entre "linguagem figurada" e "sentido figurado" é que "linguagem" é o recurso utilizado na fala ou na escrita, e "sentido" é o significado transmitido através desse recurso. Em resumo: "sentido figurado" é a ideia que resulta da "linguagem figurada". Exemplos:
- O céu parece se espreguiçar quando anoitece. 
- O sol domina o céu durante o dia. 
Portanto, embora "linguagem figurada" e "metáfora" não sejam a mesma coisa, há  linguagens figuradas que são também metáforas. Este é o caso dos dois exemplos citados acima. Entretanto, se eu disser, por exemplo, que vi "alguns pássaros se perderem por trás das árvores", estarei tentando dizer que, depois que os pássaros voaram por trás das árvores, não consegui mais vê-los, e não que eles se perderam. Neste caso, o recurso que utilizei foi uma linguagem figurada, mas não uma metáfora.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Saiba escolher as palavras com significados adequados para a redação

Não basta verificar 
o significado da palavra no dicionário.
É preciso escolher a palavra
com o significado adequado 
para a finalidade da redação.

Dizem que a Bíblia fala por metáforas. Sabemos que a Bíblia não fala, mas diz muitas coisas. "Falar" é comunicar-se através de palavras pronunciadas, não escritas. "Dizer" é informar, seja através da fala ou da escrita. Porém, quando dizemos que a Bíblia fala por metáforas, já estamos usando uma metáfora. 
"Metáfora" é o uso de uma palavra com um significado diferente do original. Cito aqui, como exemplo, um ditado popular:
- Neste barco eu não embarco. 
Um barco é um veículo de navegação por água (rio, mar, etc.). No ditado, a palavra "barco" assume como significado a possibilidade de problemas. Também o verbo "embarcar" tem como significado original "entrar num navio, num avião, num ônibus, etc., para viajar". No ditado, "não embarcar" significa "evitar um possível problema". Temos aí, então, duas metáforas numa mesma frase. Quando eu digo que a Bíblia "fala", estou usando o verbo "falar" com o significado de "dizer", o que também é um recurso metafórico. 
É por existirem muitas metáforas e significados diferentes que, mesmo não sendo metafóricos,  podem estar relacionados a uma mesma palavra, que é preciso ter muito cuidado com a escolha das palavras para uma redação. Nem sempre verificar o significado de uma palavra num dicionário é suficiente para decidir utilizá-la adequadamente. "Merenda", por exemplo, pode ser o alimento que as crianças levam para a escola, mas pode ser também o alimento é servido na escola ou, ainda, uma refeição leve depois do almoço e antes do jantar. "Membro" pode ser uma perna, um braço, uma asa ou uma perna de uma ave, ou ainda uma pessoa em relação a sua família, a uma tribo ou a uma associação, etc. O sentido original de "menina" é "criança do sexo feminino" mas, como metáfora, pode significar "mulher jovem", "mulher de aspecto jovem" ou "mulher bonita".
São várias as situações em que procuramos uma determinada palavra num dicionário e a encontramos com vários significados, todos diferentes entre si. Por isto, como a eficácia da comunicação depende muito mais dos significados do que simplesmente das palavras, saber escolhê-las e incluí-las na redação adequadamente é muito importante. É preciso ter certeza de que elas estão de acordo com o que o contexto da redação exige. 
O contexto pode ser verbal, situacional ou experimental. Numa redação, é sempre verbal por estar expresso verbalmente (por escrito), mas pode ser ao mesmo tempo situacional (quando relata algo de acordo com uma determinada situação) ou experimental (quando se relata na redação uma experiência pessoal, um fato ocorrido com o próprio autor do texto). Palavras fora do contexto nada significam, ficam sem sentido, e prejudicam muito o sentido de toda a redação. 
No próximo artigo, serão abordados o "sentido figurado" e a "linguagem figurada". Também voltarei a me referir às metáforas com mais detalhes. Enfatizarei os tipos de metáforas frequentemente mais usados numa redação. 


Referências: 

  • "Novo Manual de Português", de Celso Pedro Luft (Editora Globo)
  • "Mini-Dicionário Aurélio Buarque de Holanda" (Editora Século XXI)

"'Dicas' Fáceis para Redação" tem leitores assíduos em 12 países

Além de receber vistas de leitores Brasileiros, 
o blogue tem leitores assíduos 
nos Estados Unidos.
em Portugal e outros oito países. 

Segundo as estatísticas do Blogger, o "'Dicas' Fáceis para Redação" recebeu durante os últimos 30 dias 2.646 acessos. Isto representou uma média de 90 visitas por dia. Do total, 2.510 leitores estão no Brasil e 90 nos Estados Unidos. Os demais estão em Portugal, Alemanha, Rússia, Angola, Catar, Moçambique, Ucrânia, Canadá, Ucrânia e Argentina. O blogue tem também 17 seguidores inscritos. 
No dia 31 de Março, o "'Dicas' Fáceis para Redação" foi classificado pelo Info Enem, o portal do Exame Nacional de Ensino Médio, como um dos 10 melhores blogues em sua categoria (orientações sobre redação) no Brasil. Segue abaixo a mensagem enviada por Matheus Andrietta, editor do portal. 


Parabéns! O infoEnem, maior portal sobre o Enem na internet, iniciou em fevereiro uma série de publicações indicando aos seus leitores os melhores conteúdos do país. Seu blog foi classificado entre os 10 melhores do Brasil na categoria Redação. Confira: http://www.infoenem.com.br/os-10-melhores-sites-e-blogs-de-redacao-do-brasil/ Caso interesse mostrar aos seus leitores a qualidade e a confiabilidade do seu espaço, que foi analisada e comprovada por toda nossa equipe, escreva-nos um email e lhe enviaremos o código HTML do selo desta classificação. É um selo discreto, mas que trás a importância, os acessos e a responsabilidade de ser considerado entre os melhores de toda a rede nacional. Nós do infoEnem, e principalmente nossos milhares de leitores mensais, agradecemos seus esforços que contribuem para uma internet rica e de bom conteúdo! Continuem assim, para que possamos continuar indicando esse belo espaço como fonte confiável de informação. Novamente nossos parabéns!