Elias Alves foi locutor e redator noticiarista na Rádio Vitória, em Vitória, no estado do Espírito Santo - Brasil. Ele também trabalhou como redator comercial na TV Vitória entre 1990 e 1997. Antes, entre 1986 e 1990, foi redator noticiarista na Rádio Gazeta, também em Vitória. Posteriormente atuou na Superintendência Estadual de Comunicação Social (Secom) até dezembro de 2002.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Palavras, Parábolas, Vocábulos e Termos


Até mesmo em dicionários,
esses quatro itens são citados 
como se significassem a mesma coisa.
Entretanto, 
cada um tem características próprias. 

Até mesmo em alguns dicionários, "parábola", "palavra", "vocábulo" e "termo" são palavras definidas como se tivessem o mesmo significado. Há situações em que uma palavra se torna um termo e a outras em que um termo é determinado por duas ou mais palavras. São essas similaridades e, ao mesmo tempo, as diferenças que costumam fazer com que muitos estudantes, participantes de concursos públicos, etc., fiquem confusos quanto a esses quatro itens. Um pouco mais de conhecimento sobre essas semelhanças e diferenças pode ajudar muito no desempenho para produzir uma redação e para responder a questões sobre regras gramaticais da língua portuguesa.

A parábola:

Em matemática, uma parábola é uma sequência de pontos situados em locais diferentes   mas à mesma distância de um mesmo ponto, chamado "foco" ou "ponto-foco", e de uma mesma reta, chamada "diretriz". Isto gera uma curva plana côncava que caracteriza a parábola propriamente dita. 
Também são conhecidas as "parábolas" de Jesus, através das quais ele pregava seus ensinamentos. Séculos antes de Jesus, filósofos como os gregos Sócrates e Platão também usavam parábolas como formas de ensino. O que há em comum entre a parábola da matemática e a parábola como forma de ensinar é o seguinte: na matemática, o gráfico representa uma trajetória a partir de um ponto, descrita por um seguimento de linha curva que dá a ideia de um retorno não ao mesmo ponte de partida, mas a um ponto situado na mesma linha deste. No caso dos ensinamentos de Jesus ou dos filósofos, o efeito é o mesmo: o ponto de partida é uma história como exemplo para justificar o ensinamento, e o ponto de chegada, ou "retorno", é o entendimento da pessoas sobre o significado da mensagem contida nessa mesma história. 
Seguindo os exemplos dados acima, conclui-se que, em gramática, uma parábola é uma narrativa curta que encerra uma mensagem bem definida, seja com o uso e apenas uma palavra ou de uma frase. Por isto, às vezes uma parábola é equivocadamente chamada de "fábula". Uma parábola é um exemplo dado através de um história fictícia, mas que demonstra fatos da vida real, e cujos personagens são seres humanos; na fábula, as características e finalidades da história são as mesmas da parábola, mas os personagens são animais não humanos (nós, humanos, também somos animais). 


A palavra: 


A palavra pode ser escrita ou falada. Quando escrita, é um conjunto de letras numa sequência em obediência a regras ortográficas com o objetivo de dar a ela um significado que possa ser entendido por quem lê. Quando falada, é um conjunto de sons chamados "fonemas", também seguindo regras gramaticais que visam permitir que seu significado seja percebido por quem os ouve. 
Assim, a palavra "casa", tanto na forma escrita como na pronúncia, tem o significado de "moradia", "construção para servir como moradia de uma pessoa, uma família, etc.", enquanto a palavra "lar" tem o significado de "moradia", porém não simplesmente como uma casa, mas como um local onde as pessoas são felizes, vivem em harmina entre si, etc. 
Em resumo, a palavra representa uma parte do pensamento humanos. Por isto é considerada como uma unidade da linguagem humana.


O vocábulo: 


"Vocábulo" não é a mesma coisa  que "palavra". Como já foi esclarecido acima, a palavra é um conjunto de letras ou fonemas com um sentido definido. O vocábulo é a representação material desse sentido. 
Isto quer dizer que o vocábulo é a palavra quanto à sua morfologia (forma da palavra).  Assim, a palavra "carro" tem como significado o veículo de transporte, mas o vocábulo "carro" é o conjunto formado por duas vogais ("a" e "o), três consoantes ("c", "r" e "r") e duas sílabas ("car" e "ro"). 


O termo: 


O termo pode ser representado por uma palavra ou por um conjunto de duas ou mais palavras significando uma mesma ideia. Por isto é também chamado de expressão. É, portanto, uma palavra ou um conjunto de palavras revelando, para quem lê ou ouve, a intenção de quem escreveu ou fala. Exemplos:
1) João foi à escola hoje pela manhã.
2) A escola psicanalítica de Frëu ainda é uma das mais discutidas atualmente. 
No exemplo 1, "escola" é ao mesmo tempo uma palavra, cujo significado é um estabelecimento de ensino, e ao mesmo tempo um termo, por já deixar claro o significado por si mesma. No exemplo 2, a palavra "escola" assume outro significado, e o termo "escola psicanalítica de Frëud" deixa clara a intenção de que estou me referindo à linha de pensamentos criada por Sigmund Frëud.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Adapte-se às novas regras ortográficas até novembro.

As informações através da imprensa
dizem que o prazo termina em dezembro,
mas no mesmo mês
as escolas, universidades, faculdades, 
empresas, órgãos públicos, etc.,
já estarão obrigadas a adotar as novas regras.

As notícias veiculadas através da internet e de todos os veículos de comunicação e informação dizem que o prazo para nos adaptarmos às novas regras ortográficas da língua portuguesa no Brasil terminarão em dezembro deste ano. Entretanto, tem-se informado também que todas as instituições de ensino, todos os órgãos públicos, todas as empresas e demais organizações estarão obrigados a adotá-las já no mesmo mês. Portanto, será melhor estamos todos já devidamente adaptados até o final de novembro. 
Não será demais lembrar que não se deve confundir "regras ortográficas" com "regras gramaticais". A ortografia faz parte da gramática, mas refere-se apenas às formas como as palavras devem ser escritas. As regras gramaticais são as normas que abrangem toda a gramática, tanto no que se refere à escrita quanto em relação à forma correta da pronúncia. As regras que estão sendo modificadas são apenas as ortográficas. 
O que muda

Penso que também não será demais relembrarmos o que será modificado na ortografia. Para facilitar o entendimento, prefiro não mencionar o que não será modificado. Portanto, o que não estiver mencionado neste artigo permanecerá como está.

O Trema (¨):
Esta é uma regra que já está sendo obrigatória. Já foi abolido o trema sobre o "u" em palavras em que esta letra aparece entre "g" ou "q" e "e" ou o "i" e é pronunciada. Por exemplo, antes escrevia-se "lingüiça", e atualmente se escreve "linguiça". Antes, escrevia-se "liqüidação", agora escreve-se "liquidação". Antes: "liqüefação"; agora, "liquefação". 

A acentuação:
Neste texto, estamos nos referindo apenas a mudanças ortográficas. Portanto, pelo menos por ora, não se preocupe se a acentuação é tônica, átona, etc. Deixemos isto para quando tratarmos de estudos mais aprofundados da gramática.  Preocupe-se apenas com a acentuação no sentido gráfico. 
Primeiramente, lembremos que "ditongos" são encontros entre duas vogais numa mesma sílaba, e que "hiatos" são encontros entre duas vogais em sílabas separadas. 
As palavras com ditongos "ei" e "oi", sobre os quais anteriormente vinha sendo usado o  acento agudo (´) não serão mais acentuadas. Assim, "heróico" se torna "heroico", "batéia" se torna "bateia", "paranóico" se torna "paranoico", "colméia" se torna "colmeia", etc. Se esses ditongos estiverem no final da palavra, seja no singular ou no plural, o acento permanece: "heróis", "papéis", "coronéis", "herói", "corrói", "destrói", "fiéis", etc. Se o "i" ou o "u" com pronuncia forte vierem após um ditongo, também não serão acentuados. Exemplos: "Bocaiúva" (o ditongo é "ai"); "feiúra" (o ditongo, é "ei"), etc. 
O acento circunflexo (^) não poderá mais ser utilizado em palavras terminadas em "eem" e "oo". Por exemplos, "têem" se tornou "teem", "prevêem" se tornou "preveem". Em vez de "vôo", escreve-se "voo". Em vez de "enjôo", escreve-se "enjoo", e assim por diante. 
Também estão sendo abolidos os acentos agudos e circunflexos usados para diferenciar palavras semelhantes. Antes escrevia-se "pára" (flexão do verbo "parar") para diferenciá-la da preposição "para". Agora as duas palavras são escritas da mesma forma. Uma mudança que faz sentido, já que a diferença na escrita não tinha necessidade. Se eu escrevo "Eu trouxe este livro para você" e "Apertando esse freio você para o carro", está óbvio que "para" é uma preposição no primeiro caso e uma flexão do verbo "parar" no segundo. De fato, o acento não era necessário. 
A palavra "vêm", flexão do verbo "vir" na terceira pessoa do presente do indicativo ("eles vêm") não terá mais o acento. O mesmo acontece com "teem", "leem", "veem", etc.  Permanecem os circunflexos no verbo "pôr" para diferenciá-lo da preposição "por". Exemplos: "Eu vou pôr os óculos" (verbo). "Ele passou por ali" (preposição).
Também não se utilizará mais o acento agudo sobre o "u" forte se este estiver entre "g" e outra vogal. "Argúe", por exemplo, se torna "argue"; "apazigúe" se torna "apazigue", etc. 

O Hífen (-):
O hífen tem sido um dos principais motivos de muitas dúvidas, mas é fácil entender as modificações. Ele permanecerá sendo utilizado em palavras acrescidas por prefixos quando a raiz (a palavra propriamente dita) começar por "h". Exemplos: "sobre-humano", "ante-horário" (antes da hora prevista), "anti-herói", "anti-horário" (sentido contrário ao dos ponteiros do relógio), etc. Também serão utilizados quando os prefixos "pan" e "circum" precederem a raiz iniciada por "h", "m" ou "n". Exemplos: "pan-americano", "Pan-América", "circum-meridional", "circum-hospitalar", "circum-nacional".
O hífen terá que ser empregado nos casos de palavras acrescidas pelos prefixos "hiper", "inter" e "super" se a raiz for iniciada com "h" ou "r". Exemplos: "super-homem", "inter-regional", "inter-regno", etc.) e nos casos de encontros entre duas vogais iguais ("co-operação", "auto-observação", "contra-avaliação", "anti-imperial", etc.). 

Eu preferi me referir apenas às mudanças. Portanto, o que não foi citado aqui permanecerá como está. Entretanto, se os leitores desejarem, poderão fazer suas perguntas. Terei prazer em ajudá-los no que me for possível. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Uma piada antiga que nos faz refletir

Por que dizemos que
alguém "se suicidou"
se o suicídio 
só pode ser praticado
contra quem o pratica? 

O aluno pergunta ao professor:
- Professor, uma pessoa pode ser punida pelo que não fez?
O professor responde:
- Ora, claro que não!
O aluno diz, então:
- Então não posso ser punido por não ter feito o dever de casa. 

Esta piada é velha, ingênua e é relembrada mitas vezes em shows humorísticos infantis na TV, mas traz em si uma coisa que deveria despertar as atenções de quem a ouve: as diferentes interpretações, por parte de quem as ouve, que podem ocorrer em relação às expressões que utilizamos no nosso dia a dia. Dizer que uma pessoa não pode ser punida pelo que não fez não é exatamente um erro, mas a ideia que desejamos transmitir com essa informação se torna mais explícita se nos expressarmos, por exemplo, da seguinte forma: "Não se pode punir uma pessoa por algo que não é de sua responsabilidade", ou "pelo que não foi causado por ela", ou ainda "pelo que foi feito por outra". 
Usamos muitas formas de nos expressarmos que, embora consideradas ou simplesmente aceitas como corretas, não somente podem ser interpretadas de forma diversa da que desejamos como também parecem não fazer sentido. Por exemplo, estamos muito acostumados a ouvir pessoas dizerem que alguém está correndo "risco de vida" quando na verdade a pessoa está prestes a morrer - ou seja, está correndo risco de morte. Se a pessoa estiver correndo risco de vida, na verdade isto significa que ela tem excelentes chances de permanecer viva, não de morrer. 
E quanto a "suicidar-se"? Qual é a função da partícula "-se" neste caso, se toda pessoa que comete suicídio só pode cometê-lo contra si mesma? A história nos ensina que Santos Dumont "se suicidou" após saber que aviões começavam a ser utilizados para bombardeios em guerras. Se ele "se matou". justifica-se o uso do pronome reflexivo "se" porque uma pessoa pode matar outra. Mas "suicidar" já é um verbo que significa "matar a si mesmo(a)". Entretanto, numa prova do vestibular ou de um concurso público, o candidato tem que escrever "a pessoa se suicidou..." porque, caso contrário, perderá pontos. 
Entretanto, a situação desse mesmo pronome possessivo é muito diferente numa frase como, por exemplo, "Alexandre, o Grande, referia-se a si mesmo como um rei muito poderoso." Poder-se ia dizer "Alexandre se referia como um rei muito poderoso", mas o uso da partícula "-se" acrescida por "a si mesmo" é uma redundância proposital simplesmente para dar maior ênfase ao que se quer transmitir através da frase. Enfim... Coisas da língua portuguesa.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Coluna Donatella Coser O charme e glamour dos eventos sociais e empresariais

Coluna Donatella Coser O charme e glamour dos eventos sociais e empresariais

40 - "Florzinhas" e "Barzinhos" ou "Florezinhas" e "Barezinhos"?

Grafias como "florzinhas" e "barzinhos"
já são encontradas 
nos dicionários de língua portuguesa mais recomendados,
mas segundo muitos especialistas,
isto não significa que elas sejam corretas. 

"Qual é a forma correta, 'florzinhas' ou "florezinhas"? Esta pergunta já me foi feita várias vezes. Sempre considerei e considero como correta a forma "florezinhas". O motivo, pelo menos para mim, é evidente: se a forma plural não diminutiva do substantivo "flor" é "flores", parece-me fazer sentido que a forma plural diminutiva correta seja "florezinhas". O mesmo acontece com relação ao substantivo "bar": se o plural não diminutivo é "bares", parece-me convir que o plural diminutivo seja "barezinhos". A dúvida de muitas pessoas com relação a isto acontece porque palavras como "barezinhos" e "florezinhas" são encontradas até mesmo em dicionários de língua portuguesa altamente recomendados por escolas, profissionais de comunicação social, etc. 
O professor Sérgio Nogueira, conhecido por suas participações em programas da Rede Globo de Televisão, afirma em seu "site", "Dicas de Português" (http://g1.globo.com/platb/portugues/2007/06/27/ola-tudo-bem-40/) que as formas plurais diminutivas dos substantivos terminados em "r" podem ter as terminações "zinhos", "zinhas", "ezinhos" e "ezinhas". No entanto, o professor Pasquale Cipro Neto, apresentador do programa Nossa Língua Portuguesa" (Rede Cultura), considera essas formas como inadequadas. É grande o número de professores, tão respeitados quanto estes, que afirmam que as formas como "barzinhos" e "florzinhas" estão no grupo das consideradas "aceitáveis" por serem utilizadas amplamente na linguagem popular e em publicações em revistas, livros, jornais, etc. Segundo eles, elas são incluídas nos dicionários como se fossem corretas, mas apenas por causa de seu uso muito amplo.
Entretanto, tenho percebido que não acontece o mesmo com "poblema". Embora muitas pessoas pessoas, inclusive com formação de nível superior, frequentemente pronunciem essa palavra desta forma, mesmo estas as escrevem corretamente: "problema". Talvez seja por isto que a forma "poblema" ainda não tenha ingressado no grupo das "aceitáveis" e não seja encontrada nos dicionários.